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  • sábado, abril 04, 2015

    CINEMA - 15 (ou mais) filmes da “Sessão da Tarde” que marcaram minha infância


    Quem curtiu a vida adoidado nos anos 80 não se esquece dos “clássicos” da Sessão da Tarde. Num tempo em que não existia internet, muitas vezes ficávamos esperando a reprise de nosso filme favorito na sessão vespertina para gravá-lo em nossos modernos videocassetes. Claro que listas são sempre subjetivas e sempre alguém vai lembrar de um filme aqui, outro ali. Mas minha memória afetiva registrou esses como os mais marcantes da minha feliz infância e início de adolescência oitentista:

    segunda-feira, fevereiro 23, 2015

    CINEMA: 10 considerações sobre o Oscar 2015


    1. “Birdman” e “Boyhood”, os favoritos da noite, embora igualmente ótimos, têm propostas totalmente diferentes: enquanto o primeiro tem um rigor técnico incrível impressionante em cada tomada, o outro tem a (falsa) ideia de despretensão, de processo intuitivo de um “vamos ligar a câmera e ver no que dá”. A técnica venceu a intuição.




    2.  A hora e a vez de Julianne Moore, enfim, chegou! E com algum atraso. Como não ficar feliz com a premiação dessa grande atriz? Sim, “Para sempre Alice” não é o melhor trabalho de Julianne. Ela já deveria ter vencido com “As horas” ou “Longe do Paraíso”. Mas ainda sim, Julianne era a melhor das indicadas, seguida de perto pela também maravilhosa, mas já oscarizada, Marion Cotillard.

    3. Agora que se fez justiça a Julianne, está mais do que na hora de dar um Oscar para Glenn Close por qualquer coisa que ela faça.

    4. Lady Gaga arrasou sim na homenagem aos 50 anos de “A noviça rebelde”. Mas a simples presença de Julie Andrews rouba qualquer cena.

    5. A Academia adora sim premiar atores que fazem papel de doentes e moribundos. Mas justiça seja feita: Eddie Redmayne foi muito além disso. Em “A teoria de tudo”, ele está apaixonante desde o primeiro minuto. Sorriso cativante e olhar terno. E o trabalho corporal do ator na fase crítica da doença é incrível.



    6. Mas confesso que meu favorito era Michael Keaton, que interpretou o melhor papel de sua carreira em “Birdman”. Nunca fui grande fã, mas depois de Birdman confesso: me apaixonei completamente por Michael Keaton e mal posso esperar pelo próximo filme dele.

    7. Saudades dos tempos em que sabíamos cantar de cor as canções indicadas ao Oscar e as letras dos sambas-enredo do ano. Mas, pelo menos, venceu a melhor, “Glory”, do filme “Selma”.

    8. Rosanna Arquette, a partir de agora, já pode ser oficialmente conhecida como a irmã da Patricia. Brincadeiras à parte, pra quem viveu os 80’s, Rosanna será sempre memória afetiva.

    9. O teor político do discurso de alguns vencedores – Patricia Arquette em favor das mulheres com direito a aplausos efusivos de Meryl Streep; Grahan Moore em favor dos diferentes (leia-se gays); e os compositores John Legend e Common da canção “Glory”,do filme “Selma” pelos direitos civis iguais entre brancos e negros – só comprova a maravilha que é o cinema e as artes cênicas em geral. Enquanto a política oprime e massacra, a arte denuncia, emociona, redime. Viva o cinema!  

    10.        Meryl Streep deveria ser como Clovis Bornay nos antigos concursos de fantasia: hors-concours. Aliás, quando irão instituir a categoria de melhor Meryl Streep?




    Ano que vem tem mais! Confira a lista dos premiados:




    Melhor filme: "Birdman"
    Melhor diretor: Alejandro González Iñárritu, "Birdman"
    Melhor ator: Eddie Redmayne, "A Teoria de Tudo"
    Melhor atriz: Julianne Moore, "Para Sempre Alice"
    Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons, "Whiplash - Em Busca da Perfeição"
    Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette, "Boyhood - Da Infância à Juventude"
    Melhor roteiro original: "Birdman"
    Melhor roteiro adaptado: "O Jogo da Imitação"
    Melhor animação: "Operação Big Hero"
    Melhor filme estrangeiro: "Ida", da Polônia
    Melhor documentário: "Citizenfour"
    Melhor edição: "Whiplash - Em Busca da Perfeição"
    Melhor fotografia: "Birdman"
    Melhor direção de arte: "O Grande Hotel Budapeste"
    Melhores efeitos visuais: "Interestelar"
    Melhor edição de som: "Sniper Americano"
    Melhor mixagem de som: "Whiplash - Em Busca da Perfeição"
    Melhor figurino: "O Grande Hotel Budapeste"
    Melhor cabelo e maquiagem: "O Grande Hotel Budapeste"
    Melhor trilha sonora original: "O Grande Hotel Budapeste"
    Melhor canção original: "Glory", do filme "Selma"
    Melhor curta-metragem: "The Phone Call"
    Melhor curta-metragem de animação: "O Banquete"
    Melhor curta-metragem de documentário: "Crisis Hotline: Veterans Press 1"

    terça-feira, outubro 07, 2014

    CINEMA: O adeus de um adorável sacana





    2014 tem sido um ano de muitas e irreparáveis perdas no meio artístico. Foi com esse sentimento de pesar que recebi a notícia da morte de Hugo Carvana, uma das figuras mais significativas de nossa dramaturgia. Imediatamente, veio à minha memória uma retrospectiva de todas as lembranças dos trabalhos de Carvana e seu adorável e inesquecível malandro presente em vários filmes em que ele atuou e dirigiu, mas também de outros tipos, como o milionário Lineu de “Celebridade” (2003), novela de Gilberto Braga, um dos autores com quem ele mais trabalhou em televisão. 

    Como diretor, Carvana tem uma das filmografias mais coerentes de nosso cinema. Todos os seus filmes são impregnados desse espírito carioca, brincalhão e gaiato que o cinema vem perdendo aos poucos. Lembrei que tinha um DVD de seu último filme “Casa da Mãe Joana 2” que nunca tinha assistido, embora o filme estivesse na fila. Achei mais do que justo e propício que ele assumisse a dianteira na fila e, finalmente assisti.

    sexta-feira, outubro 03, 2014

    CINEMA: O baile mais marcante da minha vida

    Para inaugurar esse novo espaço dedicado às minhas reflexões e observações sobre cinema, decidi publicar novamente um texto que escrevi sobre “O baile”, de Ettore Scola, que resiste ao tempo e continua a ser meu filme de cabeceira. Perdi a conta das vezes em que assisti, mas a cada audiência, descubro um novo detalhe que aumenta mais meu fascínio pelo filme. Sei que é para poucos, pois a proposta é bem diferente e original, mas espero que a leitura instigue aos que ainda não conhecem e desperte nos que já assistiram a vontade de rever essa pérola de delicadeza de Ettore Scola.